terça-feira, 4 de setembro de 2012

Teste: Honda XL 700V Transalp


Apesar de seu uma das motos mais “veteranas” do mercado mundial, a recém-lançada entre nós Honda Transalp dá um show de eficiência.
Ela não é a trail mais potente do mercado, nem a mais leve, nem a mais barata, mas seja para onde você quiser ir ela te leva com competência inigualável. Há quem critique a Honda por trazer ao nosso mercado uma moto com projeto tão antigo – do fim dos anos 80 e revisto cerca de três anos atrás. Esquecem que tantos anos de mercado podem significar um produto maduro e isento de defeitos.  Ela foi concebida para viajar, seja pelo asfalto ou pela terra, sozinho ou com acompanhante, e faz isso há décadas. É perfeita para nosso território, indiscutívelmente.
Para conhecer a novidade, nada melhor que uma viagem. Conferimos seu desempenho em um trajeto
não muito longo, cerca de 350 km, mas compensamos tal brevidade percorrendo terrenos variados. Como havíamos afirmado, a posição de pilotagem é extremamente confortável. O guidão é alto, não tão largo quanto uma moto de cross, e o tanque é estreito na altura dos joelhos. O banco tem espuma de conformação e densidade correta, e é bem ergonômico. Única ressalva: as manoplas são duras e uma ligeira vibração a 120 km/h faz as mãos adormecerem. Já os pés não sofrem:as pedaleiras têm borrachas. Com o tanque de 17,5 litros cheio até a boca e com um piloto de 80 kg, ela registrou um consumo médio de 17 km/litro num ritmo dentro das leis de trânsito, sem nada de exageros, o que representa uma autonomia de cerca 280 km com um tanque. Todavia com 240 km marcados no hodômetro o indicador digital de combustível começa a piscar, avisando da necessidade de reabastecimento.

Anda bem? – Se o consumo não é de se bater palmas a culpa cabe a quem? O piloto se comportou, mas de fato o V2 desta Honda não é dos mais recentes e lembremos que a Transalp não é uma moto leve: 214 kg com o tanque cheio, na versão sem ABS. E tais quilos não apenas incidem no veredicto da bomba de combustível como também no cronômetro, portanto a aceleração não é exatamente emocionante. Mesmo levando o giro do motor até a faixa vermelha, a Transalp não oferece aquela sensação da roda da frente querer sair do chão e isso, considerando ser ela uma trail de perfil touring, não é um defeito, denotando uma moto equilibrada e sem aspectos de radicalidade. Se por um lado a Transalp frustrará alguns com sua falta de potência em alta, alegrará os que sabem valorizar um motor com bom torque. Tal característica faz as retomadas serem consistentes, facilitando a vida em ultrapassagens pois quase não é necessário reduzir marchas no econômico mas eficaz câmbio de 5 velocidades.


Equilibrada - Com suspensão dianteira
extremamente macia e razoável curso de 177 mm, os buracos brasileiros não são problema para a Transalp. Também o sistema de suspensão traseiro, monoamortecedor Pro Link, conta com fácil regulagem de pré-carga da mola, localizada na lateral esquerda, que requer uma simples chave de fenda para ser ajustado. O conforto da Transalp não advém apenas de sua boa ergonomia, assento confortável ou boas suspensões: a bolha parabrisa pode parecer pequena, mas dá conta do recado até 100 km/h. Todavia ela é capaz de chegar a 188 km/h reais, o que explica a oferta, no exterior, de bolhas maiores no mercado paralelo.  Nas acelerações ela marcou  um 0 a 100 km/h em 5 s e cumpriu 0 – 400 m em 14 s – o que não é certamente marca emocionante mas efetivadas com mínimo esforço e baixo ruído do motor. A dirigibilidade é ótima para uma trail: entra em curvas com facilidade e as percorre bem inclinada, sem reações negativas. A unidade testada não contava com ABS, porém os freios são bons e seguros. De ruim mesmo, por enquanto, o preço: salgado já na tabela, vem sofrendo ágio de 3 mil reais ou mais sobre o preço sugerido pela Honda, o que é algo inaceitável mesmo para uma moto esperada tão ansiosamente.

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